
UM OLHAR SOBRE OURO PRETO, o TRIBUNA LIVRE traz a vereadora Regina Braga (PSDB), já em seu terceiro mandato, para falar sobre questões da comunidade e seu olhar sobre Ouro Preto.
T.L. - Qual é o olhar da vereadora sobre a situação da cidade hoje?
REGINA - Vejo não só a cidade de Ouro Preto, mas também os distritos e as localidades numa situação lamentável. Estamos sem rumo, sem norte, sem planejamento, sem serviços públicos de qualidade, enfim, estamos sem governo. A cidade e os distritos estão cheios de problemas e o povo, principalmente os menos favorecidos, está sofrendo. E tudo isso, além de bastante lamentável, é injustificável, uma vez que a nossa Prefeitura tem uma das maiores arrecadações do Estado de Minas Gerais. Com os aumentos abusivos que tivemos dos impostos e das taxas no início deste (des)governo Angelo Osvaldo e mais os recursos financeiros que vem dos Governos Federal e Estadual, a arrecadação municipal atual gira em torno de R$12.000.000,00 (doze milhões de reais) por mês. Portanto, é muito dinheiro e quase nenhum retorno.
T.L. - Na sua visão, quais são as maiores carências do nosso povo?
REGINA - É até difícil enumerar, uma vez que são muitas. Vou citar as mais importantes: Falta água, falta saneamento básico, falta infra-estrutura adequada (ruas calçadas ou asfaltadas), falta limpeza e capina urbana, faltam estradas rurais adequadas, falta médico e remédios nos postos de saúde, falta uma política habitacional justa, falta segurança pública (principalmente nos distritos), falta incentivo ao esporte, falta uma política de capacitação profissional, falta uma política de diversificação econômica que possa incentivar nossas e novas empresas em nosso município para geração de mais empregos, falta educação de qualidade, falta valorização do servidor público, faltam obras importantes, projetos bem elaborados para captação de recursos federal e estadual, falta a manutenção de nossas ruas, que estão cada dia mais esburacadas e cheias de mato, falta assistência social adequada que ampare os menos favorecidos, falta uma política anti-drogas que salve nossos jovens do vício, da cadeia e até da morte. Enfim, falta competência, responsabilidade e compromisso com a coisa pública.
T.L. - A situação do contrato com a Fundação Guimarães Rosa foi algo delicado e que a sra enfrentou com firmeza. O que a vereadora tem a dizer sobre isto?
REGINA - Primeiro é bom esclarecer que esse enfretamento não foi só meu, pois contei com o apoio dos vereadores da oposição (Léo e Moisés) e até da situação e, também, com o apoio de pessoas da nossa comunidade que ficaram assustadas com os tais aluguéis de computadores, câmaras, torres e afins por um valor aproximado de R$8.000.000,00 (oito milhões de reais) de forma rápida, na surdina e sem licitação pública.
Penso que foi uma vitória do Poder Legislativo e, principalmente, do povo de Ouro Preto e mostrou que estamos atentos e que não mais aceitaremos que pessoas (principalmente de fora) venham fazer bizarrices com nosso dinheiro público prejudicando, com isso, a execução de serviços e obras que sejam prioritárias e necessárias para proporcionar uma vida mais justa e digna para o povo de Ouro Preto. Esse dinheirão todo que ia embora com os coronéis, agora vai ficar. Esperamos que esse dinheiro seja revertido em serviços e obras que atendam os interesses de todos e não apenas de alguns.
T.L. - Sobre a empresa que se instalaria em Cachoeira do Campo (DELPHI) a vereadora sabe o que aconteceu?
REGINA - Sobre a instalação da empresa DELPHI em Cachoeira do Campo, temos informações, não oficiais, de que a referida empresa, por conta de incompetência da Prefeitura de Ouro Preto, desistiu de se instalar em nosso Município. Por outro lado, o Prefeito tem falado na imprensa local que a culpa não é da Prefeitura e sim da justiça que está demorando a julgar um recurso que foi impetrado por uma empresa, quando da licitação da construção do galpão da DELPHI, em Cachoreira do Campo. Disse, ainda, que ele (prefeito) estava fazendo de tudo, junto à própria empresa e junto ao Governo do Estado, para reverter a situação. Fizemos um requerimento na Câmara, assinado por todos os vereadores, cobrando do prefeito uma posição oficial sobre o assunto. Ainda não tivemos respostas.
Se perdermos a DELPHI, posso garantir que ficarei imensamente triste, uma vez que várias pessoas enfrentaram filas enormes para se inscrever a uma vaga de emprego mas, por outro lado, não vou estranhar, pois não vai ser a primeira e nem a última coisa (boa) que perderemos por conta da incompetência do poder executivo municipal
T.L. - Um assunto que vem muito à tona é sobre a questão das casas populares. A Câmara chegou a devolver verba para a prefeitura. O que de fato ocorreu? Como está esta situação hoje?
REGINA - A Câmara, no mandato de presidente do ex-vereador Kuruzu, devolveu recursos da ordem de R$2.000.000,00 (Dois milhões de Reais) para ajudar a Prefeitura na construção de casas populares e na compra de computadores para todas as escolas municipais. Só que, por incompetência e falta de responsabilidade pública, a prefeitura não deu conta de fazer o que tinha que ser feito. E, depois de mais de 04 anos, tanto a questão das casas populares quanto a questão dos computadores nas escolas municipais está pendente e sem solução.
T.L. - O que a sra achou de diminuir o número de reuniões na Casa? O salário dos vereadores continua o mesmo?
REGINA - Como sou vereadora cuja base eleitoral é mais nos distritos e que, portanto, tenho que ficar me deslocando muito indo e vindo, achei, num primeiro momento, que seria interessante voltarmos a ter apenas uma reunião ordinária por semana (como acontece em inúmeras outras Câmaras Municipais), já que continuaríamos a fazer as Reuniões Itinerantes, as Audiências Públicas e as Reuniões de Comissões. Porém, depois de conversar com o pessoal do Movimento “Liberta Ouro Preto”, com o meu companheiro de Partido, Vereador Léo Feijoada, e, principalmente, depois da última reunião da Câmara em que percebi que o povo dos morros e dos distritos, finalmente, estão acordando e, por isso, estão indo até a Tribuna Livre da Câmara mostrar sua indignação e reivindicar seus direitos, eu repensei minha posição e, na segunda votação, vou votar contra a diminuição do número de reuniões ordinárias semanais.
T.L. - O que a vereadora Regina Braga tem feito para o povo da nossa região?
REGINA - Tenho procurado cumprir minha honrosa missão de representante do povo de Ouro Preto de forma ética e produtiva. Não quero e não posso decepcionar aqueles que acreditaram e confiaram seu voto em mim. Estou na Câmara para legislar e fiscalizar o Executivo Municipal, estou para trabalhar e servir o povo de Ouro Preto.
T.L. - Existe algum projeto da vereadora voltado para a mulher? E para o deficiente físico?
REGINA - Confesso que neste meu mandato estou me dedicando mais à função fiscalizadora, mas tenho vários projetos de minha autoria, dos meus mandatos anteriores, voltados para a questão da mulher, do deficiente físico, do idoso, da criança e do adolescente, dentre outros e que, por depender de uma pesquisa mais detalhada nos arquivos do meu gabinete, prefiro falar dos mesmos,com mais propriedade, numa outra oportunidade.
T.L. - Na sua opinião, qual é a maior carência dos distritos e o que poderia ser feito para minimizar?
REGINA - Os distritos, principalmente no (des)governo Angelo Osvaldo, são sempre desprestigiados e, por isso, estão carentes de tudo, como já dito acima. Na realidade, deveria acontecer o contrário: Os distritos teriam que ser valorizados, teria que haver, por parte do governo municipal, investimentos econômicos, sociais e ambientais para que não ocorresse o que vem ocorrendo. As pessoas dos distritos, por não terem o que fazer, estão vindo para Ouro Preto, ou pior, estão saindo de Ouro Preto e indo para as grandes cidades onde reina a violência e as drogas; indo morar nas periferias sem o mínimo de dignidade. Saem de uma vida saudável e caem num mundo de cão, por pura falta de oportunidades. Os distritos estão esquecidos, abandonados. Que pena!
Conclusões finais.
REGINA - Diante desse quadro sombrio onde os impostos só aumentam e, em contrapartida, a prestação do serviço público piora, só nos resta uma saída: Lutar, lutar e lutar. Desistir jamais, pois Ouro Preto é nossa e não deixaremos que alguns nos façam de idiotas.
Veja trecho da entrevista no YOUTUBE:
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